O diagnóstico do TEA (Transtorno do Espectro Autista) pode ocorrer anos após os primeiros sinais percebidos pelas famílias no Brasil. Uma revisão de estudos liderada por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe identificou atrasos de até 49 meses entre a primeira preocupação dos cuidadores e a confirmação do diagnóstico em serviços de nível terciário.
O estudo, publicado na revista científica “Children” em agosto de 2026, reuniu evidências de oito pesquisas brasileiras e internacionais que incluíram mais de 24 mil participantes. Os trabalhos analisados apontam que o caminho até o diagnóstico é marcado por diferentes barreiras, como a dificuldade de reconhecer os sinais, a falta de acompanhamento estruturado do desenvolvimento infantil, encaminhamentos tardios e a escassez de especialistas.
Os pesquisadores ressaltam que os 49 meses não representam um tempo de espera que se aplica a todas as crianças brasileiras. O período foi identificado em um estudo retrospectivo realizado em serviço terciário, no qual a idade média do diagnóstico foi de 79,2 meses, ou cerca de 6,6 anos. Nesse grupo, o intervalo médio entre a primeira preocupação dos cuidadores e a confirmação do TEA foi de aproximadamente quatro anos.
Os dados encontrados pela revisão mostram diferenças importantes entre os grupos analisados.
