Trecho da coluna publicada no Guia da Champions League 2026/27, a edição 1539 de PLACAR, que já está disponível em versão digital para assinantes (leia aqui).
Nela, Franck Thivilier, instrutor da Uefa e da AFC e ex-diretor técnico nacional adjunto da Federação Francesa de Futebol, analisa o sucesso do país na formação de novos talentos.
Clairefontaine não é fábrica
Por quase 30 anos, tive o privilégio de formar aqueles que formam. São gerações de educadores e treinadores que, todos os dias, em milhares de campos, ajudam jovens a crescer. Formar um jogador impacta uma carreira. Formar um treinador impacta centenas. Por trás de todo sistema de desempenho existem, antes de tudo, pessoas. Ao olhar para meus 27 anos a serviço da Federação Francesa de Futebol, o que mais me orgulha é ter contribuído para que essa dimensão humana se tornasse parte integrante da formação francesa. Porque a força de um sistema não está apenas naquilo que produz, mas na maneira como produz.
Um jovem jogador, em qualquer lugar da França, encontra treinadores formados segundo os mesmos princípios, a mesma linguagem e uma visão compartilhada do jogo e do desenvolvimento humano. Essa coerência raramente aparece nas manchetes. Ela é invisível para o grande público. Ainda assim, é ela que sustenta o sistema. Talvez por isso uma das ideias mais difundidas sobre o futebol francês também seja uma das menos precisas.
