Os principais candidatos ao Palácio do Planalto defendem, em seus discursos, a necessidade de ajustar as contas públicas brasileiras, mas ainda não apresentaram propostas concretas sobre como pretendem colocar essas medidas em prática. O mercado financeiro, por sua vez, aguarda posicionamentos mais claros diante de um cenário fiscal considerado preocupante.
Em entrevista ao CNN Money, a economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, avaliou que o debate sobre o ajuste fiscal permanece no campo da retórica.
Ele ainda aponta que há um lado positivo no fato de todos os candidatos reconhecerem a necessidade de corrigir a trajetória da dívida pública, mas ressalva que nenhuma medida ou proposta concreta foi divulgada até o momento.
Rafaela Vitória destacou que a relação dívida/PIB saltou de 72% em 2022 para mais de 82% atualmente, com perspectiva de encerrar o ano acima de 83%.
“São 11 pontos percentuais de crescimento e um déficit nominal também bastante pesado, próximo de 9 pontos percentuais do PIB”, ressaltou.
Para a economista, essa trajetória é insustentável e exigiria um ajuste fiscal de grande magnitude. Porém, ela observou que o debate sobre medidas de contenção de gastos é visto como impopular às vésperas das eleições, o que explicaria a ausência de propostas mais detalhadas por parte das campanhas.
