A crise institucional que envolve o STF (Supremo Tribunal Federal) é consequência direta da politização da Corte. Essa é a avaliação do cientista político Lucas de Aragão, sócio da Arko Advice, ao Hora H. Segundo ele, o país vive um cenário de fragmentação do poder, no qual nenhum dos Três Poderes reúne credibilidade ou legitimidade suficiente para liderar um consenso.
Um problema estrutural e de longa data
Para Lucas de Aragão, a crise atual não é recente. “A gente tem uma crise que tem se esticado, uma crise de competência dos Poderes ficarem dentro das suas caixinhas”, afirmou.
Ele destacou que o Brasil “desaprendeu a estabelecer limites” e que, hoje, o limite passa a depender de quem é beneficiado pela decisão.
Nesse contexto, o analista descartou a eficácia de uma grande reforma como solução imediata para o problema, especialmente a menos de um mês do primeiro turno das eleições.
Aragão explicou que a polarização política, antes mais restrita ao ambiente eleitoral, tem se espalhado para outros Poderes. Como exemplo, citou que o Judiciário passou a ser visto como um ator político ao vocalizar e participar ativamente da política.
“Isso agora é uma consequência dessa politização do Judiciário”, disse.
