O programa Desenrola Brasil reduziu a inadimplência entre os beneficiários no curto prazo, mas o efeito perdeu força cerca de 18 meses depois. É o que aponta um estudo de pesquisadores da Coppead (Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro) e da FGV (Fundação Getulio Vargas), com base em dados do Banco Central. Eis a íntegra da pesquisa em inglês (PDF - 762 kB).
Criado em 2023, o programa permitiu a renegociação de dívidas de pessoas de baixa renda. O estudo analisou a 1ª fase da iniciativa, que atendeu devedores com renda de até 2 salários mínimos. Para avaliar o efeito do programa, os pesquisadores compararam esse grupo com pessoas de perfil semelhante e renda de 2 a 3 salários mínimos, que ficaram fora da faixa de benefício.
A inadimplência recuou cerca de 14% entre as dívidas com mais de 15 dias de atraso e 17% nos débitos com mais de 90 dias. O maior impacto foi identificado nas dívidas do cartão de crédito. Para débitos com até 15 dias de atraso, o efeito foi duas vezes superior ao registrado nos empréstimos pessoais.
O alívio, porém, não se manteve no longo prazo, segundo o estudo. Cerca de 18 meses depois do início das renegociações, os níveis de inadimplência dos beneficiários começaram a se aproximar dos registrados antes do programa.
A análise considerou dados administrativos do Banco Central de janeiro de 2023 a agosto de 2025. Os resultados também variaram conforme o perfil dos beneficiários.
