Neste dia 08 de setembro tivemos uma importante decisão do Ministro André Mendonça que determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. Segundo as informações apresentadas nas justificativas trazidas pelo Relator em sua decisão, ao menos seis relatórios foram produzidos entre 3 e 31 de agosto para monitorar a atuação de autoridades, suas relações institucionais e até aspectos de suas convicções religiosas. Mendonça considerou que os documentos não apresentavam as características de inteligência regular e determinou que sua produção fosse investigada. A Segunda Turma do STF já formou maioria para manter o afastamento, embora o julgamento esteja suspenso por pedido de vista.
A gravidade da denúncia ganha uma dimensão ainda maior quando se recorda o tratamento dispensado ao ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência Alexandre Ramagem. A acusação contra ele foi justamente a de ter utilizado uma estrutura estatal de inteligência para monitorar adversários políticos, integrantes do Judiciário, jornalistas e outras autoridades, além de produzir informações com finalidade política. O relatório final da Polícia Federal apontou, entre outras condutas, o uso indevido de sistemas e recursos da Abin para vigilância e produção de dossiês. Ramagem negou as acusações, mas acabou condenado pelo STF a 16 anos de prisão no processo relativo à tentativa de golpe de Estado.
