O uso diário de inteligência artificial na rotina de estudos pode estar associado a um desempenho pior em avaliações. Dados do Pisa, divulgados pela OCDE, mostram que alunos de 15 anos que recorrem a chatbots todos os dias para determinadas tarefas escolares obtêm notas menores do que colegas que quase não usam a tecnologia.
No Brasil, quase metade dos estudantes já utiliza IA para estudar. Os próprios dados, porém, mostram que a relação entre tecnologia e desempenho depende da frequência e, principalmente, da maneira como essas ferramentas são usadas.
Uso frequente de IA acende alerta
O mais recente levantamento do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) reuniu dados de mais de 760 mil jovens em 91 países. Entre os alunos que usam IA diariamente ou quase todos os dias para elaborar textos escolares, a pontuação média em ciências foi de 481 pontos. Entre os que nunca ou quase nunca recorrem à tecnologia para essa finalidade, o resultado chegou a 509 pontos.
A diferença de 28 pontos, calculada após ajustes socioeconômicos, corresponde a aproximadamente um ano e meio de ensino. Padrão semelhante aparece quando os chatbots são usados para pesquisas preliminares sobre novos temas ou para resumir leituras.
Da mesma forma que não ficamos em forma assistindo a esportes, mas praticando esportes, o aprendizado não ocorre através do consumo de conteúdo, mas como uma luta cognitiva produtiva da mente com novo material.
