O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, comparou a atuação da inteligência da Polícia Federal na produção de relatórios sobre ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias, ao cenário descrito pelo escritor George Orwell no livro “1984”.
A declaração consta da decisão em que Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.
“Diante do quadro ora apresentado, que mais se assemelha ao cenário concebido por George Orwell em sua célebre distopia, intitulada ‘1984’”, escreveu Mendonça.
Segundo o ministro, a produção dos relatórios, a ciência prévia de sua existência por parte do ministro Alexandre de Moraes e a posterior divulgação dos documentos configuram fatos de “extrema gravidade”.
A decisão afirma que Mendonça foi submetido a “monitoramento sistemático” pela inteligência da PF. Segundo o ministro, um ofício assinado por Andrei Rodrigues registra a produção de ao menos 6 relatórios de inteligência de 3 a 31 de agosto de 2026. Mendonça afirma que isso significa que ele foi monitorado pela PF por 30 dias.
Os documentos também tratariam da atuação de Jorge Messias. Um dos relatórios levantou a hipótese de que o AGU teria decidido não recorrer de decisões relacionadas às investigações Sem Desconto e Compliance Zero para preservar uma “relação política com o relator”, segundo a decisão. Mendonça classificou as conclusões como ilações genéricas e abstratas.
