O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que Alexandre de Moraes teve conhecimento prévio da existência de relatórios de inteligência da Polícia Federal que monitoravam sistematicamente sua atuação. A declaração consta da decisão desta 3ª feira (8.set.2026) que afastou Andrei Rodrigues do comando da corporação.
Segundo Mendonça, a própria decisão em que Moraes determinou a apresentação dos documentos mostra que o ministro já havia recebido informações sobre a existência do material. Os relatórios foram formalmente encaminhados por Andrei a Moraes em ofício assinado às 18h45 de 1º de setembro.
“E mais, conforme se depreende da própria decisão do ministro Alexandre de Moraes, previamente, este teria tido ‘notícias da existência’ desses relatórios”, escreveu Mendonça.
Mendonça considera grave que a informação a respeito da existência dos relatórios tenha chegado ao outro ministro. O material foi posteriormente usado por Moraes para tentar incluí-lo no inquérito das fake news.
Ele apresenta a afirmação em capítulo da decisão dedicado ao que chama de “monitoramento e coleta dirigida” sobre ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias. Segundo Mendonça, ao menos 6 relatórios foram produzidos entre 3 e 31 de agosto e analisaram suas decisões, suas relações institucionais e a atuação de integrantes da AGU (Advocacia Geral da União) e da própria PF.
O magistrado questiona tanto a finalidade quanto a forma de produção dos documentos.
