Há um mês, o STF (Supremo Tribunal Federal) reconheceu a validade da Moratória da Soja no Brasil. Mesmo com a decisão, entidades ainda calculam os impactos econômicos e ambientais que o país poderia enfrentar caso o acordo fosse encerrado. O WWF-Brasil (Fundo Mundial para a Natureza) estima que o fim da Moratória poderia provocar um desmatamento adicional de 1,4 milhão de hectares na Amazônia ao longo dos próximos dez anos.
O volume representa um aumento de 17% em relação às taxas históricas analisadas e poderia gerar cerca de 745 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em emissões, patamar próximo ao total emitido anualmente pelo Canadá.
Os números fazem parte de um artigo publicado na revista científica Science e divulgado pela entidade no Brasil. O desmatamento projetado poderia representar um custo de US$ 8,2 bilhões para a economia brasileira até 2032, segundo o especialista em conservação territorial do WWF-Brasil, Tiago Reis.
Em entrevista ao CNN Agro, Reis explica que a estimativa considera perdas acumuladas associadas aos serviços prestados pela floresta, como a produção e regulação de água e chuvas importantes para a agricultura e para a geração de energia hidrelétrica, além dos impactos sobre a biodiversidade.
Na avaliação do especialista, a floresta preservada deve ser encarada como uma espécie de “ativo financeiro”, capaz de gerar riqueza e evitar custos no longo prazo.
