O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto defendeu a criação de um Código de Ética para a Corte como resposta à atual crise institucional. Segundo ele, o conjunto de regras deve estabelecer limites para a atuação dos ministros e permitir que o próprio tribunal exerça controle sobre seus integrantes.
Em entrevista ao O Globo publicada nesta 2ª feira (7.set.2026), Britto afirmou que o momento é adequado para discutir a proposta, defendida pelo presidente do STF, Edson Fachin.
“É a hora de discutir isso [o Código de Ética]. O pudor começa com o desnudamento, transparência e visibilidade. O Supremo é o controlador dos outros dois Poderes [Executivo e Legislativo], mas quem controla o Supremo? O Código de Ética é para isso: para o controlador cortar na própria carne quando for necessário”, declarou.
A elaboração de um Código de Ética está entre as prioridades da gestão de Fachin. O presidente do Supremo encarregou a ministra Cármen Lúcia de trabalhar na proposta.
A discussão ganhou força durante a crise provocada pelas revelações de mensagens enviadas pelo ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes e pela posterior reação do magistrado contra o ministro André Mendonça.
Britto evitou avaliar especificamente a conduta de Moraes. Defendeu, porém, que o Supremo não tome decisões precipitadas diante das acusações envolvendo integrantes da Corte.
“Tudo está correndo de acordo com a lei.
