Como na vida de todo mundo que é interessante, meu cabelo já passou por várias fases. Ou eras.
Por exemplo, quando resolvi fazer um corte “Joãozinho”. Eu ainda estava no colégio, olha quanta personalidade. Não acho que tenha ficado ruim. Nem bom. As pessoas tiveram reações do tipo: “Nossa, como ficou diferente”. Ou: “Puxa, que coragem”. Entendeu? Mas um único menino da escola amou. Não poupou elogios, por dias. Comecei a namorar com o rapaz, né? Era o que tinha. O relacionamento durou até meu cabelo ficar Chanel.
Você vai me desculpar, mas quem nunca cortou o próprio cabelo, não viveu. No meu caso, não fui eu, mas acho que conta. Explico: em determinado momento da minha adolescência, ficou na moda um lance chamado franja McDonalds. Em poucas palavras: uma franja que faz o formato de “M” na sua testa. Não tinha como dar certo. Eu resisti, porque era moda no grupo das patricinhas e eu não era uma delas. Na turma das “hippies”, o cabelo era longo e partido ao meio, terminando no cós da saia indiana. Eu também não me enquadrava na galera do incenso. Mas, como eu era amiga de todo mundo, havia uma competição velada para me aliciar pra uma das tribos. Num intervalo desses, duas amigas da tribo das mauricinhas me chamaram pra ir ao banheiro. Coisa normal da rotina estudantil feminina. O que eu não reparei é que uma delas empunhava uma tesoura escolar. Sim, ela me convenceu a entrar na modinha do Méqui. Juntou um tanto do meu cabelo na frente do meu rosto e “záz”.
