Existe uma transformação silenciosa acontecendo no Oriente Médio que, na minha avaliação, deveria provocar muito mais indignação e debate do que provoca hoje: o desaparecimento progressivo de comunidades cristãs que estão entre as mais antigas do mundo.
Para um país como o Brasil, que reúne uma das maiores populações cristãs do planeta e possui vínculos históricos e familiares profundos com países como o Líbano, considero especialmente preocupante que esse assunto permaneça praticamente à margem do debate público. Se somos realmente comprometidos com a liberdade religiosa, não podemos escolher quais perseguições merecem nossa atenção.
O cristianismo nasceu no Oriente Médio. Foi nessa região que Jesus nasceu, viveu e pregou. Foi em Jerusalém que ocorreram alguns dos acontecimentos centrais da história cristã. Foi dali que a fé cristã começou a se espalhar pelo mundo. Durante quase dois mil anos, comunidades cristãs permaneceram estabelecidas em países como Síria, Iraque, Líbano e na própria Terra Santa.
Mas hoje essa presença está desaparecendo. Os números apresentados em diferentes levantamentos internacionais são difíceis de ignorar. De acordo com dados reunidos pelo Pew Research Center e por relatórios do U.S. Department of State, do UK Home Office, da EUA e de organizações cristãs, a presença cristã em alguns países do Oriente Médio sofreu uma redução dramática nas últimas décadas.
