Carla Zambelli escolhe as palavras com cuidado. Há nomes que evita pronunciar e assuntos que aborda sob orientação dos advogados. Da Itália, onde recuperou a liberdade depois de dez meses presa, a ex-deputada afirma que sua condenação acabou fornecendo argumentos contra o Judiciário brasileiro.
“A minha coragem me trouxe aonde eu estou”, disse em entrevista à Revista Oeste.
Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão no processo sobre a invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça. Segundo a Corte, a ex-parlamentar contratou o hacker Walter Delgatti para inserir documentos falsos, incluindo um mandado de prisão forjado contra o ministro Alexandre de Moraes.
Em outra ação, recebeu pena de cinco anos e três meses por sacar uma pistola e perseguir um homem nos Jardins, em São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022. Ela deixou o Brasil, foi incluída na difusão vermelha da Interpol e acabou presa em Roma. Zambelli também possui cidadania italiana.
A vida de Carla Zambelli na Itália
A Corte de Cassação da Itália negou em 22 de maio a extradição relacionada ao caso do CNJ. De acordo com o relato da ex-deputada, a decisão escrita reconheceu perseguição política, apontou falta de provas e questionou o tratamento dado a ela pela Justiça brasileira. O processo referente ao episódio da arma seguirá para uma nova análise na Corte de Apelação de Roma.
