O número de recuperações judiciais no Brasil atingiu patamar recorde de 2.466 empresas envolvidas neste tipo de processo em 2025, segundo dados do Serasa Experian.
O movimento permanece em 2026, com grandes empresas do varejo como Habib’s, Casas Bahia, Marabraz e Grupo Pão de Açúcar protocolando pedidos de recuperação ao longo do ano. O cenário desafiador, no entanto, vai além do varejo e afeta outros setores da economia.
O momento adverso para empresários brasileiros foi abordado no especial “A Crise de Grandes Marcas”, do CNN Money, na última quinta-feira (3). Especialistas analisaram o contexto macroeconômico e o impacto sobre as companhias do país.
O que está por trás do pedido de recuperação do Habib's?
João Nogueira Batista, conselheiro com experiência em reestruturações empresariais, observa duas motivações características do mercado brasileiro atual nas dificuldades das grandes empresas: os conflitos societários, que são um “fator de estímulo a crise”, e a taxa de juros elevada.
“Para o varejo, que trabalha muito com capital de giro, [o atual patamar da Selic] é mortal. Passar alguns anos pagando taxas de juros reais da ordem de mais de 10% é uma loucura, não há business que se sustente”, afirmou.
A Casas Bahia, por exemplo, apontou no pedido de recuperação judicial o ambiente macroeconômico desfavorável, juros elevados e restrição de crédito como alguns dos fatores que motivaram a ação.
