Um juiz federal em Minas Gerais determinou a suspensão das licenças ambientais e das atividades de mineração da Sigma Lithium na mina Grota do Cirilo, conforme revelou uma decisão à qual a Reuters teve acesso.
A decisão foi tomada na sexta-feira (4) em uma ação civil movida pela Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais, na qual o grupo alegou que o projeto da mineradora se situava na área de influência direta da Comunidade Quilombola de Baú.
Os quilombolas são comunidades tradicionais de ascendência africana, formadas por pessoas que escaparam da escravidão. Os territórios são protegidos pelo Estado, e o processo de licenciamento é mais abrangente para projetos que possam afetá-los.
O juiz Antônio Lúcio Tulio de Oliveira Barbosa afirmou que havia provas suficientes de que o território de Baú se encontrava na área de influência do projeto, o que aciona a obrigação de procedimentos que incluem uma consulta livre, prévia e informada com a comunidade.
O juiz afirmou que havia risco de dano à comunidade, uma vez que o complexo de mineração da Sigma realizava “constantes detonações de explosivos e movimentação de terras a poucos quilômetros de distância do território tradicional”.
O juiz citou estudos que indicam que o território fica a cerca de 2,7km da área diretamente afetada pelo projeto, bem dentro do limite de 8km que aciona o processo mais abrangente.
A Sigma argumentou que o projeto se encontra fora da zona de impacto.
