“E com Andrei, dá pra segurar?”A pergunta foi enviada por Daniel Vorcaro a um contato identificado pela Polícia Federal (PF) como pertencente ao ministro Alexandre de Moraes. Era 16 de novembro de 2025. No dia seguinte, o fundador do Banco Master seria preso quando se preparava para deixar o Brasil num avião particular.
Andrei é Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF. Ele não foi o único chefe de uma instituição citado pelo banqueiro. Paulo Gonet, procurador-geral da República, também aparece nas mensagens recuperadas pelos investigadores.
Vorcaro queria tempo. Escreveu que o Master poderia quebrar caso a operação policial não fosse adiada para depois do feriado e pediu a Moraes que tentasse “sensibilizar” o diretor da corporação. As respostas do ministro não foram recuperadas.
A conversa integra o relatório de 218 páginas produzido pela PF a partir do celular apreendido com o ex-banqueiro. André Mendonça, relator das investigações sobre o Master no Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo do documento em 1º de setembro.
As referências a Rodrigues e Gonet abriram outra frente da crise. Até então, o foco estava nos contratos do banco com o escritório da mulher de Moraes e nos contatos mantidos entre o ministro e Vorcaro. A divulgação do relatório levou a discussão para dentro da PF e do Ministério Público Federal.
“Andrei e Paulo”
Em outra mensagem, Vorcaro pediu que Moraes reforçasse um recado com “Andrei e Paulo”.
