Faltavam 30 segundos para o começo da transmissão quando uma voz atravessou o Teatro Adelphi, em Manhattan. A plateia fez silêncio. Os refletores iluminaram o palco e, cinco segundos antes de entrar no ar, uma música suave começou a tocar. Então Fulton J. Sheen apareceu.
O bispo vestia batina preta com detalhes roxos, capa episcopal, solidéu e uma cruz dourada sobre o peito. Fez uma reverência sob os aplausos, voltou o rosto para uma das três câmeras e começou: “Amigos, obrigado por me permitirem entrar novamente em suas casas”.
Era uma imagem improvável para o horário nobre da televisão norte-americana. Às terças-feiras, às 8 da noite, Sheen enfrentava Milton Berle, principal comediante da primeira era da TV, e Frank Sinatra. Ele, por sua vez, passava quase meia hora diante das câmeras falando sozinho, recorrendo apenas a um quadro-negro de vez em quando.
Life Is Worth Living (A Vida Vale a Pena, em tradução livre) havia estreado em 12 de fevereiro de 1952 na pequena rede DuMont, inicialmente em apenas três emissoras, em Nova York, Washington e Chicago. A rede investira pouco numa atração colocada diante de dois dos maiores nomes do entretenimento. Meses depois, porém, a revista Time encontraria outro cenário: o programa já chegava a 17 emissoras, recebia 8,5 mil cartas por semana e levava Sheen a mais de 2 milhões de telespectadores.
