O desfile de 7 de Setembro começa muito antes de a banda tocar. Vendedores empurram carrinhos de água e pipoca, mães ajeitam os laços dos filhos e estudantes tentam manter a fila enquanto o calor sobe do asfalto.
Talvez seja nesse tipo de cena que a data deixe de ser apenas um feriado.
A bandeira está na mão de uma criança, ao lado de uma garrafa de água e de um pacote de biscoito. O hino sai de instrumentos que desafinam, tambores que se adiantam e vozes que entram em momentos diferentes. Mesmo assim, por alguns minutos, todos permanecem ali. Dividem a mesma rua, disputam a mesma sombra e acompanham a mesma cerimônia.
É uma convivência meio desajeitada, mas verdadeira.
E talvez ela ajude a entender por que o desfile também ilumina a conversa sobre as instituições. A democracia não mora apenas nos discursos oficiais, nos palácios ou nos prédios onde autoridades tomam decisões. Ela aparece também quando pessoas diferentes conseguem ocupar o mesmo espaço, seguir regras comuns e continuar lado a lado, mesmo sem pensar da mesma maneira.
O desfile mostra, em escala pequena, o que se espera de um país inteiro: que a divergência não impeça a vida compartilhada e que nenhuma autoridade se considere acima das normas que organizam a vida de todos.
Enquanto a banda passa, o país continua discutindo o Supremo Tribunal Federal. Há decisões controversas, ministros submetidos a críticas e debates que, muitas vezes, acabam virando disputa de torcida.
