A possível redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 devem aumentar os custos e criar dificuldades de adaptação para empresas do comércio e de serviços, segundo avaliação da assessora jurídica da Fecomércio-SP, Karina Negrelli.
Em entrevista à Jovem Pan, ela afirmou que os efeitos tendem a ser maiores em atividades que dependem de mão de obra intensiva.
“A situação da redução da jornada de trabalho e da escala especialmente de 6 por 1 para 5 por 2 traz enormes desafios para o comércio e serviços”, disse.
Segundo Karina, o período de adaptação previsto é curto e muitas empresas trabalham com margens reduzidas para absorver uma mudança que, na avaliação da entidade, pode aumentar significativamente o custo da mão de obra.
A representante da Fecomércio afirmou que a entidade não é contra a modernização das relações de trabalho, mas defende que diferentes setores possam estabelecer regras próprias.
“As atualizações e as modernizações são sempre necessárias e desejáveis. O que ocorre é que estabelecer condições únicas para as diversas atividades profissionais e econômicas no Brasil não atende à realidade de muitas demandas”, afirmou.
Ela destacou que as negociações coletivas já permitem ajustes entre sindicatos de trabalhadores e entidades empresariais e defendeu a manutenção desse mecanismo.
Segundo Karina, a média semanal de horas trabalhadas no Brasil já está em 38,4 horas, abaixo do atual limite constitucional de 44 horas.
