A imagem sempre esteve associada ao poder. Quadros, moedas e bustos foram utilizados ao longo da história para construir e preservar a imagem de reis, imperadores e líderes políticos.
Um dos exemplos mais conhecidos na política moderna aconteceu na disputa presidencial americana de 1960 entre John F. Kennedy e Richard Nixon. O primeiro debate televisionado da história colocou os dois candidatos diante de uma audiência inédita e mostrou como a televisão poderia alterar a percepção sobre um político. Kennedy, mais jovem e visualmente mais adequado ao novo meio, acabou sendo percebido como mais seguro e preparado.
Hoje, a projeção aumentada exponencialmente com os canais digitais transformou os políticos em (quase) celebridades. Em uma eleição tão marcada pela disputa de atenção, construir uma imagem reconhecível pode ser tão importante quanto construir um bom discurso.
Falar sobre moda na política não é necessariamente falar de quem se veste bem ou mal. É sobre gerar conexão, comunicar uma mensagem com clareza e representar um grupo.
E não é só a roupa em si, mas o jeito de usar. O estilo de cabelo, os acessórios que compõem o visual, a armação do óculos, o sapato escolhido e até a modelagem das peças (mais justa, mais ajustada ou mais larga).
Mas a escolha de uma determinada roupa e forma de usar, por si só, não cria um símbolo. Para que isso aconteça, é preciso criar repetição.
