Você já participou de uma discussão na internet e teve a sensação de que a outra pessoa simplesmente não conseguia enxergar algo que parecia óbvio? Esse tipo de situação é comum em debates sobre política, religião, futebol, ciência, comportamento e praticamente qualquer tema capaz de envolver identidade e emoção. O mais curioso é que isso não acontece apenas com pessoas desinformadas ou com baixa capacidade intelectual. Pessoas inteligentes, bem instruídas e com ótima capacidade de argumentação também podem defender ideias frágeis, contraditórias ou até claramente equivocadas quando essas ideias estão ligadas a um grupo, a uma crença ou a uma identidade que desejam preservar.
Existe uma tendência muito forte de imaginar que a inteligência funciona como uma espécie de proteção contra erros de julgamento. Como se uma pessoa mais inteligente fosse automaticamente mais imparcial, mais crítica e menos suscetível a distorções. Mas não é bem assim. Em determinadas situações, uma capacidade intelectual elevada pode simplesmente fornecer ferramentas mais sofisticadas para justificar aquilo em que a pessoa já deseja acreditar. Em vez de utilizar o raciocínio para rever uma crença, ela pode utilizar esse mesmo raciocínio para protegê-la.
Na psicologia, um conceito importante para entender esse comportamento é o chamado raciocínio motivado.
