Um novo estudo realizado com 4.200 adolescentes revelou que o cyberbullying raramente se dá de forma isolada, funcionando quase sempre como uma extensão das agressões físicas e verbais do ambiente escolar. Ao mapear os perfis de envolvimento dos estudantes, a pesquisa conduzida na Universidade Federal de São Paulo descobriu que as fronteiras entre vítimas e agressores muitas vezes se misturam em um ciclo de violência que atravessa os mundos físico e digital.
Mais do que mapear as agressões, o levantamento traz um alerta preocupante: jovens presos a essa rede de múltiplos contextos de bullying apresentam uma forte associação com o sofrimento psicológico e o uso de substâncias como álcool e cigarro. Os dados foram publicados na revista Psychiatry Research.
Participaram da pesquisa estudantes do 7º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio. Por meio de análises estatísticas, o trabalho identificou 3 perfis de adolescentes:
A maior parte deles (48%) compõe um grupo que não apresenta relação relevante com nenhum tipo de violência.
Logo em seguida, representando 46% da amostra, estão os jovens que sofrem bullying na escola com frequência e, em alguns casos, também o praticam, mas raramente se envolvem com o cyberbullying.
Por fim, uma parcela menor (6%) forma o perfil mais complexo: os chamados vítimas-agressores em múltiplos contextos, que tanto sofrem quanto praticam agressões de maneira combinada, transitando entre o ambiente físico e o on-line.
