Antes de chegar às ruas, veículos autônomos precisam ser testados diante de situações que são raras, imprevisíveis e perigosas. Como a coleta de dados dessas interações de tráfego é difícil, onerosa e insegura, uma forma de fazer testes de segurança para esses casos é a partir de simulações computadorizadas.
Pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo desenvolveram uma plataforma de simulação para explorar cenários perigosos e criar situações de direção de alto risco.
O objetivo do trabalho foi propor e validar o CORTEX (CORner Case Testing & EXploitation for Autonomous Vehicles Development), plataforma baseada em simulação que explora cenários de risco predefinidos. A ferramenta demonstrou ser capaz de concentrar o esforço de simulação em situações que realmente desafiam o sistema de controle do veículo, permitindo um “teste de estresse” mais rigoroso do que os métodos tradicionais de amostragem aleatória.
“Com 20 anos de experiência de desenvolvimento industrial de VAs e uso intensivo de recursos humanos e financeiros, ainda não foi possível chegar a uma solução completamente segura. Isso acontece porque existem quase infinitas combinações de possibilidades de tráfego com as quais o carro não sabe, a priori, como lidar”, disse Gabriel Kenji Godoy Shimanuki, engenheiro de computação e autor do estudo, ao Jornal da USP.
É nesse sentido que as simulações entram, colocando à prova a capacidade do veículo de tomar decisões diante de cenários de risco.
