Como nasceu a urna eletrônica?
Na frente de uma casa de taipa, com cobertura de palha e chão de terra batida, um homem aponta para um cartaz colado à parede. Na parte superior da imagem, está escrito: "vote em mim". No centro, no entanto, não está o rosto de nenhum candidato. Há apenas um teclado numérico: o da urna eletrônica.
Era 1998, e a cidade pesqueira de Acaraú, no Ceará, se preparava para votar pela primeira vez com o equipamento eletrônico.
Para os moradores do município, aquela máquina ainda era uma novidade. Era preciso aprender a votar nela. Até então, apenas um terço do eleitorado brasileiro havia tido essa experiência. A estreia da urna eletrônica havia sido em 1996, principalmente nos grandes centros urbanos.
O cartaz na parede fazia parte desse esforço para tornar familiar uma tecnologia que, apenas dois anos depois, estaria presente em todas as seções eleitorais do país.
Mauro Hashioka, engenheiro do Inpe e integrante da comissão que criou a urna eletrônica, aponta para um cartaz em uma casa em Acaraú, no Ceará. Na imagem, está escrito "vote em mim", com a imagem da urna eletrônica.
Arquivo pessoal
O homem que aponta para o cartaz é Mauro Hisao Hashioka, engenheiro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Ele integrava a comissão criada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que trabalhou diretamente no desenvolvimento da urna eletrônica.
Telefone fixo, disquetes e cinco 'ninjas': os bastidores da criação da urna eletrônica
