A União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin (Intelis) criticou, neste sábado, 5, o conteúdo de um relatório de inteligência atribuído à Polícia Federal e citado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão sobre a atuação do ministro André Mendonça.
Em nota, a entidade afirmou que o documento divulgado não apresenta características compatíveis com os parâmetros metodológicos estabelecidos pela Doutrina da Atividade de Inteligência.
O relatório ganhou destaque depois de Moraes reproduzir trechos do material em uma decisão na qual questionou a condução de investigações sob a relatoria de Mendonça. Entre as informações citadas estão avaliações sobre um suposto direcionamento das apurações e um alegado “viés político” do ministro.
A Intelis não mencionou nominalmente Moraes ou Mendonça e não analisou o mérito das investigações. A manifestação concentrou-se nos critérios técnicos que devem orientar a produção e o uso de documentos de inteligência.
Intelis questiona uso de relatório de inteligência
Segundo a entidade, a atividade de inteligência de Estado não se confunde com investigação criminal nem deve substituir procedimentos destinados à apuração de crimes.
A associação afirmou que documentos dessa natureza precisam seguir processos de coleta, avaliação, análise e validação para assegurar objetividade, consistência e impessoalidade.
