O ouro costuma falar antes dos governos. A França retirou de Nova York as últimas 129 toneladas de suas reservas que ainda estavam sob a custódia do Federal Reserve. O metal não atravessou fisicamente o Atlântico: foi vendido nos Estados Unidos e substituído por igual quantidade comprada na Europa e armazenada em Paris.
Oficialmente, o Banco da França apresentou uma explicação técnica. As barras antigas não atendiam aos atuais padrões internacionais de negociação. A operação preservou o volume das reservas e ainda proporcionou um ganho extraordinário de 12,8 bilhões de euros.
Agora foi a vez da Holanda.
Seu banco central transferiu 86 toneladas mantidas nos Estados Unidos e no Canadá para Londres. Parte da operação ocorreu por movimentação física e parte pela venda do ouro em Nova York, seguida da compra de quantidade equivalente no mercado londrino.
A justificativa holandesa também foi cautelosa: aumentar a liquidez, melhorar a distribuição geográfica das reservas e fortalecer a capacidade de reação diante de uma crise.
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Há algo além da explicação técnica
Tudo isso pode estar tecnicamente correto. Mas seria ingenuidade acreditar que duas decisões dessa dimensão, tomadas por importantes países europeus, não carregam também uma avaliação política e geopolítica.
O ouro é o ativo de última instância de uma nação.
