O plenário foi o caminho escolhido por André Mendonça. Caberia aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) examinar, em sessão pública e presencial, o material das investigações sobre o Banco Master que fazia referência a autoridades da República. Alexandre de Moraes estava entre os nomes citados.
Mendonça retirou o sigilo de parte dos documentos. Dois dias mais tarde, Moraes enviou ao presidente do STF, Edson Fachin, acusações contra o relator. O ministro apontou supostos indícios de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Fachin abriu um procedimento e solicitou informações aos envolvidos.
O confronto trouxe para dentro da Corte uma discussão que há anos ocorre fora dela. Decisões monocráticas, inquéritos prolongados, prisões, bloqueios de contas e ordens às plataformas digitais ampliaram o poder individual de ministros do STF. Moraes passou a ocupar o centro das críticas, enquanto as contestações entre seus colegas permaneceram pontuais.
André Mendonça revive Edward Coke
Ao encaminhar o assunto ao plenário, o ministro fez com que os colegas precisassem se manifestar publicamente sobre fatos que atingiam o próprio tribunal. Esse movimento está no centro do artigo publicado na Edição 338 da Revista Oeste.
A situação remete a um episódio ocorrido na Inglaterra do século 17. Edward Coke, então Chief Justice, enfrentou o rei James I ao defender que o soberano também deveria obedecer à lei.
