Na manhã da última terça-feira, 1º, um relatório da Polícia Federal (PF) com 218 páginas começou a circular fora dos gabinetes de Brasília. O documento fora produzido a partir do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Havia mensagens, registros de chamadas e contratos. Alexandre de Moraes aparecia repetidamente no material.
O ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Master no Supremo Tribunal Federal (STF), havia retirado o sigilo dos documentos. A crise, até então contida nos bastidores da Corte, tornou-se pública.
Um dos arquivos analisados pela PF era o contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. O acordo previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões durante três anos. Se cumprido integralmente, alcançaria R$ 131,2 milhões.
Os metadados mostraram uma edição feita por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” antes da assinatura. O escritório confirmou que Moraes acessou e modificou o documento.
O escritório de Viviane alegou que o setor de compliance procurou o ministro para saber se havia algum impedimento legal à contratação. Disse também que Moraes nunca julgou causas relacionadas ao Banco Master e que os serviços previstos no acordo foram prestados. O contrato era apenas uma parte do que havia no aparelho.
Os pedidos de ajuda de Vorcaro
Vorcaro procurava Moraes para relatar problemas enfrentados pelo banco.
