Os brasileiros que estão no topo da pirâmide de renda passaram a deter uma parcela recorde da renda nacional durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Dados obtidos a partir das declarações do Imposto de Renda mostram, conforme relata a Reuters, que a concentração entre os mais ricos avançou, em contraste com indicadores que revelam redução da desigualdade geral no país.
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Estimativas do pesquisador Sergio Gobetti, elaboradas com base em informações abertas pela Receita Federal, indicam que os 0,1% mais ricos passaram a responder por 13,1% da renda nacional em 2024. Em 2020, essa participação era de 10,2%.
O resultado ajuda a explicar uma diferença importante entre as formas de medir a desigualdade. O coeficiente de Gini, utilizado para acompanhar a distribuição de renda, alcançou em 2024 o menor nível da série histórica. O indicador, porém, tem limitações para captar ganhos financeiros concentrados nas faixas mais elevadas da população.
Marcelo Medeiros, professor de economia da Universidade de Illinois Urbana-Champaign, afirma que as pesquisas domiciliares utilizadas no cálculo do Gini captam com maior precisão os rendimentos provenientes do trabalho. Já os ganhos financeiros dos mais ricos aparecem de maneira mais abrangente nas declarações tributárias.
A discussão ganhou também um componente eleitoral.
