Um paciente com doença renal em estágio terminal conseguiu sobreviver durante 271 dias com um rim de porco até receber o órgão de um humano. O caso ocorreu no Hospital Geral de Massachusetts, em Boston, nos Estados Unidos, a partir de um estudo realizado pelo Centro de Ciências de Transplantes e da Divisão de Nefrologia do hospital, liderado pelo médico brasileiro Leonardo Riella e pelo cirurgião Tatsuo Kawai.
O resultado representa um avanço na realização do xenotransplante - quando o enxerto ocorre entre espécies diferentes.
Outro passo importante observado pelos pesquisadores foi a não realização de diálise - processo que “substitui” os rins quando eles não funcionam normalmente, realizando a filtração do sangue e eliminando toxinas. Isso significa que o rim suíno foi capaz de se adaptar ao corpo humano por um longo tempo e sem complicações severas.
De acordo com o estudo, o primeiro procedimento desse caso ocorreu em 2024 com um paciente que sobreviveu durante 52 dias, mas faleceu posteriormente por causas cardíacas não relacionadas ao transplante. Anteriormente, não havia nenhum registro de sobrevivência após um xenotransplante por mais de dois meses.
Riella, que é especialista em transplante de rins e diretor médico da área no Hospital Geral de Massachusetts, ressalta que esse procedimento funciona como uma “ponte” para o transplante efetivo do órgão humano.
