Há casos que se acumulam devagar, como sedimento, até que um dia a carcaça simplesmente cede. O que está acontecendo com o ministro Alexandre de Moraes nesta primeira semana de setembro é exatamente isso: não uma revelação isolada, mas o desabamento de uma estrutura pútrida que já vinha rachada havia meses, e que, esta semana, finalmente, não resistiu mais ao próprio fardo.
Quem acompanha com atenção o noticiário sabe que o caso Moraes/Vorcaro não nasceu esta semana. Em junho, quando a Polícia Federal rejeitou pela segunda vez a proposta de delação premiada do ex-controlador do Banco Master, esta Oeste já registrava, em texto do colunista Flávio Gordon, uma frase que hoje soa quase profética: “O nome que não aparece na delação é o mais importante da República”.
Naquele momento, já eram conhecidos os contornos do contrato de R$ 129 milhões, hoje sabemos que foram, na verdade, R$ 131 milhões, entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Já se aventava, também, um segundo contrato, no valor de outros R$ 50 milhões, cujos detalhes ainda “engatinhavam nas sombras”, nas palavras do próprio colunista.
Na mesma leva de reportagens, soube-se que a própria proposta de delação de Vorcaro, rejeitada pela PF por insuficiência de provas, já mencionava Moraes diretamente, com o banqueiro admitindo que o contrato milionário buscava “estreitar relações” com o ministro.
