O comportamento já é conhecido por muita gente: adiar a hora de dormir para ter algum tempo livre depois de um dia cheio. A chamada “procrastinação do sono por vingança” ocorre quando esse adiamento é intencional, mesmo com prejuízo ao descanso, e costuma estar ligado à sensação de falta de tempo para si.
A palavra “vingança” em si não possui uma conotação de agressividade, mas sim de compensação psicológica. Embora popularizado em inglês, o termo original é de origem chinesa, bàofùxìng áoyè, que, ao pé da letra, significa “ficar acordado até tarde de forma vingativa” ou “noitadas por vingança”.
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Na prática, a expressão resume um comportamento simbólico: a pessoa sacrifica o sono como forma de “compensar” um dia em que não teve tempo ou controle sobre a própria vida. É uma resposta cada vez mais comum a rotinas rígidas, ao excesso de trabalho ou estudo e à sensação de falta de autonomia.
Não se trata apenas de um hábito ou tendência recente. Uma revisão sistemática de dezembro de 2022, com 43 estudos, concluiu que a prática está relacionada a um padrão comportamental consistente associado ao baixo autocontrole e à preferência por atividades noturnas.
Segundo os pesquisadores, o fenômeno tem ganhado força em contextos de alta pressão profissional e jornadas longas.
