O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá dificuldade para reverter a vantagem da direita na região Sul nas eleições de 2026. Segundo o cientista político Fernando Schüler, doutor em filosofia pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e professor do Insper, a “atual polarização brasileira” na política torna muito difícil uma “reversão” desse quadro.
Em entrevista ao PoderDataCast publicada neste sábado (5.set.2026), Schüler disse que as características socioeconômicas e culturais de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul ajudam a explicar a distância do eleitorado em relação ao “lulismo”.
Segundo Schüler, a região apresenta menor dependência de programas de transferência de renda, maior renda média e uma proporção mais elevada de eleitores com ensino superior em comparação com outras partes do país.
Esses fatores, na avaliação do professor, contribuem para uma maior receptividade a discursos relacionados a trabalho, mérito, empreendedorismo, cooperativismo e economia de mercado.
“Faz toda a diferença ter um Estado onde você tem 3,5% ou 4% de pessoas beneficiárias do Bolsa Família e Estados, como você tem no Nordeste, que tem 40%”, afirmou.
O cientista político também destacou a diferença educacional. O Sul tem de 21% a 22% dos eleitores com ensino superior, contra 11% na média nacional. A região também apresenta uma população mais velha e menor proporção de eleitores jovens.
