Com o fim das férias de verão, é hora de voltar à rotina. Para os adultos, isso significa retornar ao trabalho; para as crianças, voltar à escola.
No entanto, este não será um início de ano letivo normal para os moradores da cidade espanhola de Ceuta, no norte da África. “É caótico, inseguro, estamos com medo e está piorando”, disse Marina Rovira, moradora de Ceuta, à CNN.
Suas palavras descrevem a crescente tensão nesta cidade autônoma de 83 mil habitantes desde o final de julho, quando cerca de 70 mil migrantes cruzaram irregularmente a fronteira do Marrocos para chegar a esta cidade no lado africano do Estreito de Gibraltar.
“Muitas mulheres não querem, ou não podem, sair sozinhas. Temos que sair acompanhadas por homens, ou simplesmente não saímos; e sempre carregamos spray de pimenta”, acrescenta a jovem de 29 anos.
Embora a maioria dos migrantes tenha retornado voluntariamente ao país vizinho nos dias seguintes, aproximadamente 5.000 pessoas, segundo estimativas do governo espanhol, permanecem no enclave. Essa situação causou tensão, dificultou a convivência e levou a diversas manifestações.
Um dos momentos mais tensos ocorreu na última quinta-feira (27), quando alguns manifestantes contra o fluxo migratório tentaram impedir a distribuição de alimentos da Cruz Vermelha aos recém-chegados, e outros incendiaram parte de um acampamento improvisado pelos migrantes em uma praia local.
