Por Jorge Jacob
É difícil imaginar, no Congresso Nacional do Brasil, um defensor da redução dos gastos públicos e do tamanho do Estado, discursando em favor da instalação de aparelhos de ar-condicionado em escolas públicas, enquanto deputados e senadores de esquerda se opõem radicalmente à ideia. Mas na França, com as ondas de calor cada vez mais intensas que assolam o país, é exatamente isso que está acontecendo. Graças ao aquecimento global, o aparelho virou símbolo de uma batalha ideológica entre direita e esquerda, no debate sobre quais políticas públicas a nação deve adotar para aplacar os efeitos do calor extremo.
Na França, o uso de ar-condicionado em residências e equipamentos públicos sempre foi tratado com cautela. Durante anos, a climatização foi de certa forma associada ao consumo excessivo de energia e a uma forma individualista de responder às mudanças climáticas. A prioridade sempre foi equipar prédios e casas com isolamento, proteção contra o sol e boa ventilação para limitar, sempre que possível, o uso de aparelhos de ar-condicionado.
Mas esse ano o país teve o mês de junho mais quente da história, com temperatura média quase 4°C acima da média do mês registrada de 1991 a 2020. Na 2ª metade de junho, o país enfrentou uma onda de calor mais longa e intensa do que o normalmente esperado. De 24 a 25 de junho, a temperatura média nacional em 24 horas ultrapassou pela 1ª vez os 30 °C, o maior valor já registrado.
