Quando falamos em China, tendemos a travar em dois extremos igualmente inúteis: a admiração que ignora os custos e a rejeição que ignora os mecanismos. Para quem trabalha com tecnologia em uma empresa ocidental, nenhum dos dois contribui para a tomada de decisão.
Participei recentemente de uma imersão executiva no país e pude perceber a preocupação adotada para que fosse uma experiência produtiva: separar o que funciona de verdade. E é dessa parte que vale falar.
Mudanças na tecnologia para os próximos anos
A primeira mudança de rota é sutil, mas decisiva. Lá, a atenção saiu da capacidade dos modelos de IA e foi parar no custo por tarefa. A corrida por inteligência artificial agêntica foi contada, por muito tempo, como uma disputa pelo modelo mais inteligente. Agora, já não é bem assim.
Em apenas um ano, provedores chineses saltaram de menos de 2% para mais de 45% do tráfego semanal em um dos maiores roteadores de modelos do mundo. Isso acontece porque a viabilidade financeira e a capacidade de inteligência estão se descolando uma da outra.
Desenvolvedores pararam de escolher modelo por benchmark e passaram a otimizar por custo (por token e por capacidades específicas, como gerar bom código ou lidar com contexto longo). Com modelos abertos comparáveis rodando por cerca de um sétimo do preço de um equivalente ocidental de ponta, deixou de ser uma questão de preferência e virou, na prática, uma questão de margem.
