A crise institucional que envolve o STF (Supremo Tribunal Federal) não é recente. Segundo análise do cientista político Rafael Cortez, ela tem raízes que remontam a 2014, quando a Operação Lava Jato emergiu como um divisor de águas na política brasileira, desencadeando uma série de tensões que se acumularam ao longo de mais de uma década.
A Operação Lava Jato, iniciada em 2014, representou, nas palavras de Rafael Cortez, “uma hecatombe no mundo da política”. Diante da magnitude do escândalo, que envolveu tanto o setor público quanto o privado, o STF foi convocado a arbitrar e resolver os conflitos gerados.
“O tempo foi mostrando que a maneira como o Supremo analisou o comportamento do juiz Sérgio Moro se mostrou que o Judiciário, quando foi passar a limpo, passou a limpo com tensões institucionais”, afirmou Cortez.
O período entre 2014 e 2019 concentrou eventos de grande impacto institucional. O impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), associado aos desdobramentos da Lava Jato e a uma crise crônica de governabilidade, resultou na ascensão de Michel Temer ao poder.
STF no centro do conflito
A partir de 2019, já sob o governo de Jair Bolsonaro, o STF passou a ser alvo direto de ataques, e o inquérito das fake news foi criado. Nesse contexto, com o Legislativo e o Executivo em confronto aberto, o Supremo foi se consolidando como o principal polo de Poder, o que, segundo Cortez, acabou por ampliar significativamente a atuação individual de seus ministros.
