O jogador de futebol argentino Matías Pourrain descreveu vividamente seus primeiros momentos após ser preso por agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), nos EUA.
“Eles não deixam você tomar banho. Fiquei três dias sem comer. A fome é brutal”, relatou Pourrain.
Um pesadelo que começou em um aeroporto em Fort Lauderdale, Hollywood, Flórida, e que expõe a vulnerabilidade de milhares de imigrantes nos Estados Unidos, independentemente de seu status imigratório.
Pourrain, de 34 anos, vive nos Estados Unidos desde 2019. Atualmente, joga pelo Miami United FC, clube que disputa a quarta divisão do futebol americano, e antes de sua vida tomar esse rumo drástico, sua rotina na Flórida combinava sua paixão pelo futebol com o ensino.
“Eu treinava no clube pela manhã e dava aulas na academia à tarde”, contou.
No entanto, essa rotina foi interrompida em 6 de agosto, quando ele se preparava para viajar a Los Angeles com seu time para um evento esportivo.
Como muitos argentinos que bebem mate (bebida tradicional feita a partir da infusão das folhas da erva-mate), ele decidiu tomar um pouco de água quente no aeroporto.
Mas, naquele momento, segundo ele, duas pessoas à paisana o abordaram. Depois de pedirem que ele os acompanhasse para verificar suas informações em um computador, a advertência foi direta: “Disseram que eu tinha que ir com eles, de um jeito ou de outro. E bem, eles me levaram”.
