Durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a escritora Conceição Evaristo compartilhou sua visão sobre a nova geração de escritores e leitores, destacando o que considera mais positivo no movimento atual e alertando para um cuidado essencial: não ignorar as raízes.
Para Evaristo, um dos aspectos mais animadores da nova geração é o interesse por autores fundamentais do pensamento negro brasileiro. “O que mais me encanta da nova geração é que eu vejo uma nova geração que lê, por exemplo, Abdias Nascimento, que lê Lélia Gonzalez, que lê Beatriz Nascimento, que lê Neuza Santos”, afirmou. Segundo ela, essa postura demonstra que os jovens valorizam o que veio antes e tomam essa herança “como diretriz, como inspiração, como diálogo”.
No entanto, Evaristo fez um alerta importante. Ela ressaltou que é preciso que a nova geração não acredite ter “inventado a roda”. A escritora lembrou que sua própria trajetória foi possível graças às gerações anteriores, inclusive mulheres que, segundo ela, “nem sabiam grafar o nome, mas que tinham uma sabedoria muito grande”.
“Cada geração tem uma tradição atrás de si, que é uma tradição renovada pela geração atual, mas não pode ser esquecida”, concluiu Evaristo. A reflexão reforça a importância do diálogo entre gerações como base para a construção de uma literatura sólida e consciente de sua história.
