Nos últimos meses, uma sequência de pedidos de recuperação judicial no varejo trouxe de volta uma discussão que, na minha visão, deveria estar muito mais presente entre pequenas e médias empresas: crescer não significa necessariamente estar mais saudável.
O cenário recente é um alerta. Empresas chegaram à recuperação judicial depois de acumular dívidas bilionárias, prejuízos e dificuldades de financiamento. Em um dos casos, a própria companhia atribuiu a crise à estrutura de financiamento, e não à operação. Em outro, juros elevados e endividamento foram apontados entre as causas centrais da dificuldade financeira.
A primeira reação é pensar que esse é um problema de empresas grandes demais, com estruturas complexas demais para uma PME. Acho que é justamente o contrário. O tamanho muda a escala do problema, mas não necessariamente muda sua natureza. Uma PME pode vender mais, entrar em novos canais, conquistar clientes em outras regiões e, ainda assim, ficar mais pressionada financeiramente. Parece contraditório, mas não é. Crescimento consome caixa antes de gerá-lo.
O digital tornou essa equação ainda mais interessante. Uma empresa que antes estava limitada aos consumidores da sua região pode hoje vender para outras cidades e estados, ampliar seu catálogo e acessar novos canais com uma estrutura muito menor do que seria necessária no passado.
