Existe uma unanimidade entre os líderes: uma das coisas mais difíceis da cadeira é decidir. E não é difícil entender o motivo. Uma decisão pode afetar resultado, orçamento, pessoas, carreiras e, dependendo do tamanho da encrenca, até o futuro da empresa.
Natural, então, que a gente tenha criado uma parafernália de recursos para decidir melhor. Dados, pesquisas, projeções, benchmarks, cenários, comitês, consultorias. Informação nunca é demais, especialmente quando tem muita coisa em jogo. Ou será que é?
Tenho pensado bastante sobre o momento em que a busca por mais informação deixa de ser uma tentativa de entender melhor o cenário e começa a funcionar como uma forma bastante sofisticada de não decidir. Afinal, decidir é perder.
É escolher uma possibilidade e abrir mão das outras sem nunca saber exatamente o que teria acontecido se o caminho fosse diferente. Parece óbvio quando escrito assim, mas a gente costuma falar muito pouco dessa parte.
A psicanálise ajuda a entender mais uma camada dessa história. Nós não decidimos apenas a partir das informações disponíveis. Quem decide é um sujeito atravessado pela própria história, pelos seus conflitos, medos, desejos e pela maneira muito particular como aprendeu a lidar com perda e responsabilidade.
A gente gosta bastante da ideia de que existe um PJ e um PF. Facilita a vida imaginar que o diretor entra na sala de reunião e deixa o sujeito do lado de fora. Uma pena que o inconsciente não tenha aderido ao modelo híbrido.
