O ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior classificou a crise instalada no Supremo Tribunal Federal como “inimaginável” e alertou para os riscos que o conflito entre Alexandre de Moraes e André Mendonça representa para a credibilidade do Judiciário.
Ao descrever a amplitude da crise, em entrevista ao Bastidores CNN desta sexta-feira (4), Reale Júnior recorreu a uma metáfora médica: “Parece que o caso é um tumor que se espalhou. Nós estamos vivendo em plena metástase.”
Segundo Reale Júnior, a crise se aprofundou com a decisão de Alexandre de Moraes de utilizar o chamado “inquérito do fim do mundo”, como ficou conhecido o inquérito da fake news, instaurado em 2019, para agir em causa própria.
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O jurista destacou ainda que o ofício apresentado por Moraes se baseou em “relatórios de inteligência apócrifos“, ou seja, sem identificação de autoria, sem timbre e sem assinatura. “O próprio relatório diz que ele não serve de prova. Ele é um instrumento de elucubração, de interpretação”, disse.
O jurista também descartou a configuração de abuso de autoridade por parte de André Mendonça. Reale Júnior avaliou que, diante do envolvimento de autoridades com foro privilegiado, era necessário investigar para determinar a competência do processo.
