A maior concentração de pinturas rupestres em todo o continente americano está mais perto do que você imagina. No Parque Nacional da Serra da Capivara, localizado entre quatro municípios do Piauí, estão cerca de 750 destes registros, feitos em diferentes épocas ao longo dos últimos 12 mil anos.
Localizadas em áreas remotas e de difícil acesso do parque, as pinturas estão gravadas em tons de vermelho-sangue, amarelo e cinza nos grandes blocos de rocha onde ancestrais podem ter se abrigado.
As pinturas rupestres da Serra da Capivara permanecem preservadas graças ao clima seco e a métodos sofisticados de fixação. Os pigmentos eram extraídos de minerais ricos em hematita e óxido de ferro, proporcionando tons terrosos.
Para garantir a aderência, os antigos habitantes utilizavam aglutinantes como sangue animal e resina de jatobá. A aplicação nos paredões de arenito era feita manualmente, com pincéis de fibras vegetais ou através da técnica de estêncil por sopro.
Alguns especialistas em arte pré-histórica sugerem que as pinturas podem ser ainda mais antigas, sendo criadas até 36 mil anos atrás. Estas datas, inclusive, colocam o parque no centro de um debate científico que envolve a chegada dos nossos ancestrais às Américas.
Elas costumam estar dispostas lado a lado, podendo representar uma progressão linear de acontecimentos. Sua altura relativa ao chão fica entre 50 centímetros e dois metros, mas algumas cenas ocupam até dezenas de metros de rocha.
