A colheita no milho safrinha está na reta final com mais de 90% as áreas colhidos. A produção, da segunda safra ou de inverno, deve atingir 143 milhões de toneladas nessa temporada, segundo a Conab. Porém, apenas 60% da produção havia sido vendida até o fim de agosto, segundo dados compilados pela consultoria Biond Agro.
O gargalo, segundo o levantamento da consultoria, está no escoamento externo. Até o fim de agosto, o Brasil tinha embarcado de 16,7 milhões de toneladas de milho, abaixo dos quase 30 milhões de toneladas registrados no mesmo período de 2024 e de 2025.
Dois fatores explicam a perda de competitividade externa, segundo a consultoria: a Argentina, que produziu uma safra recorde e oferece preços mais mais atrativos; e a retração das compras do Irã por causa da Guerra, tradicional destino do grão brasileiro.
“Olhando para o mercado exportador, a Argentina é hoje o player mais competitividade”, avalia Yedda Monteiro, analista da Biond Agro.
O recuo é ainda mais evidente quando comparado a anos anteriores, diz Yedda: “em 2022 e 2023 tivemos picos de venda principalmente para a China, mas agora o país asiático está fora das compras devido a grande produção por lá”.
Com menos milho sendo embarcado nos portos, uma fatia bem maior da produção brasileira deverá ser absorvida pelo mercado interno. Na avaliação da Biond Agro o poder de precificação do grão está agora com a indústria doméstica, principalmente para a produção do etanol de milho.
