Em um país conhecido pela instabilidade política, Giorgia Meloni tornou-se nesta sexta-feira (4) a primeira-ministra mais longeva da Itália desde a Segunda Guerra Mundial, superando o recorde de 1.412 dias consecutivos no cargo estabelecido por Silvio Berlusconi em 2005.
Meloni, que moderou seus impulsos populistas com pragmatismo desde que assumiu o poder, em outubro de 2022, deve discursar em um comício para celebrar a marca, apresentando a durabilidade de sua coalizão como uma de suas principais conquistas.
Depois de passar por 68 governos em 80 anos, a Itália se mostrou muito mais estável durante um período de conflitos globais do que a França, que teve cinco primeiros-ministros desde o outono de 2022, e o Reino Unido, que teve quatro.
Analistas concordam, em geral, que a principal conquista de Meloni foi recuperar a confiança nas frágeis contas públicas da Itália, prejudicadas por uma enorme dívida.
No entanto, houve pouco esforço para reformar a administração pública ineficiente, o sistema de saúde e a educação. As reformas institucionais do governo, incluindo a transferência de mais poderes ao primeiro-ministro, também fracassaram.
Sem promover mudanças ambiciosas, Meloni concentrou-se em segurança e ordem pública, ampliando os poderes da polícia e reprimindo a imigração irregular, uma de suas principais promessas eleitorais. O número de novas chegadas caiu para 66.316 no ano passado, ante 157.651 em 2023.
