Ao longo de mais de duas décadas acompanhando os bastidores do setor elétrico brasileiro, aprendi que a infraestrutura energética do país não tolera o compasso de ilusionismos políticos.
A recente assinatura do Decreto nº 13.097/2026, regulamentando a ampliação do Mercado Livre de Energia (ACL) aos consumidores de baixa tensão, incluindo indústrias de menor porte, comércios e residências, repete uma fórmula perigosa: vende-se uma revolução de consumo que a realidade econômica e operacional do setor simplesmente não tem como entregar.
A narrativa oficial é sedutora ao comparar a migração energética à troca de operadora de telefonia celular, acenando com reduções de até 20% na conta de luz para pequenos estabelecimentos a partir de 2027 e, para os demais consumidores, em 2028. Quem faz conta na ponta do lápis, no entanto, enxerga um cenário bastante diferente e vê que o diabo mora nos detalhes: a economia proporcionada pelo Mercado Livre está mais estreita, inclusive para consumidores que já podem migrar.
No Mercado Livre Varejista, por exemplo, as economias giram hoje em torno de 5%. Se projetarmos essa realidade para os consumidores de baixa tensão, a estimativa é de que o desconto possa ficar próximo de 2,5%, uma projeção baseada nas condições atuais de mercado e que, naturalmente, pode mudar até a efetiva abertura.
