A delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, afirma que ele atuava como operador financeiro de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, em operações que incluíam remessas ao exterior e obtenção de grandes volumes de dinheiro vivo. Freixo disse que parte das quantias era colocada em malas e entregue a emissários do banqueiro.
Segundo o jornalista José Marques, do jornal Folha de S.Paulo, pessoas com conhecimento da colaboração afirmaram que Vorcaro transferia bens ou recursos para empresas de Freixo e pedia que ele encontrasse operadores capazes de disponibilizar dinheiro em espécie. Esses intermediários cobravam 4% pela operação. Mineiro disse não saber qual era o destino final dos valores entregues.
De acordo com os jornalistas Aguirre Talento e Alvaro Gribel, do Estado de São Paulo, o empresário também apresentou documentos sobre transferências feitas pela Entre Investimentos e Participações ao Havengate Development Fund, sediado no Texas. O fundo é administrado pelo advogado Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Freixo relatou que os repasses ao Havengate saíram de recursos de Vorcaro e foram feitos a pedido do banqueiro. A delação descreve uma espécie de conta conjunta usada para realizar pagamentos e apresenta comprovantes de operações de câmbio para enviar os valores ao exterior. Os investigadores apuram se houve evasão de divisas.
