Em 2024, mais de um terço das localidades da Amazônia ficou altamente exposto à seca, em um cenário agravado pelo El Niño da época. Dados levantados por pesquisadores da rede MapBiomas mostram que 2.172 das 5.673 localidades registradas pelo IBGE no bioma foram classificadas nessa condição entre setembro e novembro daquele ano.
O levantamento ajuda a dimensionar a vulnerabilidade da região diante da perspectiva de uma nova ocorrência do El Niño em 2026. O fenômeno deve se intensificar nos próximos meses e pode atingir intensidade muito forte antes de chegar ao pico, no fim do ano, elevando o risco de eventos meteorológicos extremos em diferentes partes do mundo.
“Frente à perspectiva de um El Niño intenso, diversos modelos climáticos preveem chuva abaixo da média para o bioma Amazônia no trimestre de setembro a novembro de 2026, com temperaturas até 1 °C acima do normal”, afirma a professora Luciana Rizzo, da USP e coordenadora da iniciativa MapBiomas Atmosfera.
Outro indicador usado no estudo foi a proximidade das localidades em relação a áreas que perderam a superfície de água. Em 2024, 5.273 localidades, 93% do total analisado, estavam a até 5 quilômetros de áreas que registraram redução da superfície de água.
A dimensão da seca também aparece nos dados ambientais. Entre setembro e novembro de 2024, a Amazônia tinha 1,9 milhão de hectares de superfície de água a menos do que a média histórica para o período, considerando a série de 1985 a 2025.
