O Supremo Tribunal Federal atravessa uma crise que já não pode ser apresentada como mera divergência jurídica entre dois de seus ministros. O que se desenha é um confronto institucional de proporções inéditas: de um lado, Alexandre de Moraes, atingido por revelações produzidas no âmbito das investigações sobre Daniel Vorcaro e o Banco Master; de outro, André Mendonça, relator das operações Compliance Zero e Sem Desconto e responsável por decisões que trouxeram a público parte relevante desse material.
Agora, a situação ganhou um novo e perturbador capítulo: Moraes acusa Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade, justamente quando a investigação conduzida pelo colega expõe fatos que exigem explicações do próprio acusador.
Em 3 de setembro de 2026, Alexandre de Moraes encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, pedido de investigação contra André Mendonça, sustentando existirem fortes indícios de irregularidades na condução das investigações. Entre as acusações estão suposta usurpação da direção das apurações, condução irregular de tratativas de colaboração premiada, comprometimento da imparcialidade e direcionamento de atos investigatórios contra determinadas autoridades, entre elas o próprio Moraes. São acusações gravíssimas e, exatamente por isso, precisam ser investigadas.
